Hábitos alimentares: da gestação à terceira idade

Nessa aula, você vai ver que:

  • - Alimentação adequada promove saúde e bem estar
  • - As necessidades alimentares mudam conforme a idade
  • - Alimentos funcionais ajudam a prevenir doenças
  • - Você pode optar por hábitos alimentares mais saudáveis e também promover mudanças em sua comunidade



ASSISTA: A gente colhe o que a gente planta





PENSE: Uma dose de afeto faz diferença?

Há quase 20 anos à frente da cozinha de uma escola, a merendeira Maria Tereza conhece como ninguém as preferências e necessidades dos alunos e sabe que, para ser merendeira, não basta apenas saber cozinhar. Tem que gostar de lidar com as crianças e jovens. Na sua cozinha, além de aromas, surgem muitas emoções. Assim que começa a mexer nas panelas, aparecem estudantes querendo saber se podem ajudar a preparar o prato do dia. Para agradar e nutrir sempre, Maria Tereza também está constantemente participando de programas de capacitação. Já aprendeu a aproveitar os alimentos para enriquecer a merenda e prepara-los com criatividade, valorizando os ingredientes da região. Tudo o que aprende, Maria Tereza passa às famílias. São dicas baratas e nutritivas, como aproveitar a época do milho para fazer pamonha e curau.

As atitudes da merendeira Maria Tereza mostram que o afeto é ingrediente essencial da boa comida.



NA SUA OPINIÃO, QUE CARACTERÍSTICAS DA COMIDA DENOTAM A EXISTÊNCIA OU A FALTA DE CARINHO DE QUEM PREPAROU?

Um exemplo de demonstração de carinho está no preparo do prato predileto de uma pessoa, mas também nos cuidados para que tenha uma alimentação equilibrada e adequada de acordo com a fase de sua vida.

AS VÁRIAS GERAÇÕES DE SUA FAMÍLIA SENTAM-SE À MESA PARA COMER JUNTAS? VOCÊ SABE QUAL O PRATO PREFERIDO DE CADA MEMBRO DE SUA FAMÍLIA? VOCÊS CONSIDERAM AS VÁRIAS NECESSIDADES DE NUTRIENTES DE ACORDO COM A IDADE?





SAIBA: Uma dieta diferente em cada fase da vida

As combinações entre os alimentos – ou seja, as porções diárias de alimentos de cada grupo (vitaminas/sais minerais, proteínas e carboidratos) – variam de pessoa para pessoa, conforme seu estilo de vida, as atividades praticadas e a faixa etária. Crianças, adolescentes e idosos necessitam de mais nutrientes que os adultos. Mas não são os mesmos nutrientes. Crianças estão em fase de crescimento; adolescentes passam por mudanças hormonais, além de continuar em crescimento; idosos enfrentam a perda de massa muscular, entre outras coisas. Além disso, o metabolismo dos homens é diferente do das mulheres.

As fases de vida que requerem adaptações na alimentação são:

Primeira infância (de 0 a 2 anos) - Bebês precisam receber uma alimentação diferenciada que contribua para seu desenvolvimento físico e mental. O leite materno contém todos os nutrientes necessários, além de anticorpos (células de defesa) contra doenças. Por isso, deve ser a alimentação exclusiva do bebê desde os primeiros momentos após o parto até os seis meses. Depois, gradativamente podem ser introduzidos alimentos complementares, ricos em ferro e cálcio, mantendo o aleitamento materno até os 2 anos, se possível. Os alimentos novos devem ser oferecidos em pequenos pedaços, para que a criança aprenda a mastigar e conheça sua textura e sabor.



ASSISTA: A amamentação é a base da boa saúde




Gestação e amamentação
O bebê absorve grande parte dos nutrientes da alimentação da mãe, por isso a mulher grávida e a mãe que amamenta devem ter uma dieta mais rica em calorias. Durante a amamentação, a mãe também deve ingerir mais líquidos, de preferência sucos e chás naturais. Refrigerantes, bebidas alcóolicas e fumo devem ser evitados.

É papel do Estado e da sociedade promover a alimentação saudável e a saúde de todas as mulheres em idade reprodutiva. Toda gestante tem direito humano ao pré-natal, realizado por profissionais de saúde. No pré-natal, toda gestante deve receber orientação sobre alimentação saudável e amamentação.



Infância (de 2 a 11 anos) - O consumo de proteínas (carnes e laticínios) deve ser mais elevado. O desenvolvimento da visão e dos ossos depende de vitamina A (laticínios, cenoura, verduras verde-escuras, buriti, pequi). Os alimentos naturais e integrais, sempre variados e coloridos, são os mais indicados. É preciso moderação no uso de sal e açúcar. Alimentos industrializados (enlatados, refrigerantes, salgadinhos, balas etc.) devem ser evitados assim como café, frituras e bebidas alcoólicas.

Adolescência (de 11 a 20 anos) - Com o aumento acelerado de peso e estatura, o corpo dos adolescentes pede mais energia e nutrientes. O tradicional arroz com feijão, bife e salada vai muito bem nesta fase. É importante não pular refeições nem exagerar na dose de fast food. Atenção também à combinação nociva de açúcar e gordura. Nos intervalos entre refeições equilibradas, com alimentos dos 3 grupos, os lanches devem incluir frutas e hortaliças, carboidratos (pão, tapioca ou mandioca etc.) e sucos naturais. Os alimentos devem ser ricos em cálcio, ferro e vitaminas (especialmente A e C).




OUÇA: Está com uma fome de leão? Ouça o programa de rádio e anote as dicas





Adulta (de 20 a 60 anos) - Mais cereais e frutas e menos gorduras e açúcar é uma boa recomendação para os adultos, que assim garantem sua dose diária de fibras e carboidratos. Um lanche leve, à base de frutas e nozes ou castanhas, ajuda a controlar os excessos da refeição seguinte. Além de cuidar da própria saúde e bem estar, os adultos têm a responsabilidade de cuidar da alimentação dos filhos. O almoço de domingo, com todos à mesa, afeto e partilha, é uma boa ocasião para passar receitas e costumes às novas gerações.

Terceira idade (a partir de 60 anos) - O consumo de sal, gorduras saturadas e alimentos muito ricos em carboidratos deve ser reduzido. Muita água (mas fora das refeições), atividades ao ar livre, alguns laticínios, proteínas (carne magra, peixes, aves) e folhas verde-escuras garantem o cálcio e a vitamina D necessários para repor a perda de massa muscular. As mulheres devem ser especialmente vigilantes da boa alimentação para conter a perda de massa óssea que acelera após a menopausa. Sopas variadas, com muitos legumes e hortaliças, são ótimas opções de jantar.

Conheça a cartilha Alimentação por Faixa Etária elaborada pela Prefeitura de Belo Horizonte.





ASSISTA: Alimentação saudável na terceira idade





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SAIBA: Alimentos funcionais reforçam as defesas naturais

A alimentação funcional é baseada no cardápio individualizado, levando em conta a saúde, estilo de vida, idade, sexo e as necessidades de cada pessoa para definir o que faz bem ou mal àquele indivíduo. Embora não curem, os alimentos funcionais apresentam componentes ativos capazes de prevenir ou reduzir o risco de algumas doenças.

Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) o alimento funcional é definido como "aquele alimento ou ingrediente que, além das funções nutricionais básicas, quando consumido, como parte da dieta habitual, produz efeitos benéficos à saúde".





INFOGRÁFICO: Principais alimentos funcionais



Para mais informações, confira o artigo da pesquisadora e professora Gláucia Maria Pastore Alimentos funcionais: a inovação industrial na área de alimentos.

Leia a revista Ciência para a Vida, disponível para download gratuito no site da Embrapa. Na edição no 7 são apresentadas algumas pesquisas brasileiras com alimentos funcionais (pag. 14).

E veja ainda o artigo Alimentos Funcionais: uma alternativa para a terceira idade, de Francisca Marta de Moura.




SAIBA: Como fazer a transição para hábitos alimentares adequados?

Agora que você já conhece as necessidades de cada faixa etária e sabe o que são alimentos funcionais, fica mais fácil discutir a transição para uma alimentação mais adequada. Para os especialistas, só é possível enfrentar a propaganda de alimentos inadequados e a tendência mundial de massificação e globalização da alimentação por meio da Educação Nutricional.

“Educação Nutricional é o meio que proporciona melhora na saúde dos indivíduos (...). Ela ocorre devido a ações educativas com a finalidade de um maior conhecimento pela população sobre os alimentos e sobre os processos de alimentação desde a infância até a velhice, para adoção de um estilo de vida saudável”. (ONG Banco de Alimentos)

“Educar é criar possibilidades para a produção ou construção do conhecimento pelo próprio indivíduo. Para que isso ocorra, a pessoa que transmite a mensagem (o facilitador) precisa respeitar a individualidade de cada participante e aproveitar suas vivências e experiências no ato de educar. Só assim é possível fazer a ponte entre os conhecimentos que o educando já adquiriu ao longo da vida e os conhecimentos técnicos e acadêmicos”. (BARROS et al, 2008)



Uma política de Educação Nutricional deve incluir:

  • - Motivação e criatividade
  • - Métodos e técnicas de ensino
  • - Recursos materiais e humanos



Toda pessoa pode aprender a mudar seus hábitos alimentares, independente de sexo, idade, condição social ou cultural. Tudo depende das informações obtidas e da maneira como o conhecimento é construído.





Pensando em você, Estudante do Ensino Médio, que está disposto a contribuir com soluções para melhorar a produção sustentável de alimentos, elencamos alguns desafios para inspirar o início de sua pesquisa.

Desafio 1

Comidas mais coloridas e cheirosas, com ervas e condimentos, tornam as preparações caseiras atraentes. Porém os alimentos industrializados podem ser tentadores, pela praticidade do preparo.

Como promover hábitos alimentares adequados sem aumentar demais o trabalho de quem cozinha, principalmente quando a família é grande e multi-geracional? Que alimentos saudáveis e apropriados para as várias faixas etárias podem ser pré-processados sem perder nutrientes nem precisar de conservantes químicos? Como facilitar a adoção de frutas e hortaliças variadas por quem trabalha ou estuda o dia inteiro?



Desafio 2

As merendas e as cantinas escolares podem ser inimigas ou aliadas da mudança para hábitos alimentares saudáveis nos grupos de crianças e adolescentes. Investigue quem faz a merenda das escolas públicas do seu bairro. E quais alimentos são oferecidos nas cantinas das escolas privadas.

Esses lanches são adequados para as fases de vida dos alunos dessas escolas? São adequados para o clima de sua região? Esses alimentos fazem parte da cultura local ou são hábitos “importados”? Há espaço para discutir o cardápio com merendeiras e atendentes de cantinas? É possível mobilizar os alunos para discutir a lista de alimentos oferecidos? Conheça o Manual das Cantinas Escolares Saudáveis, elaborado pelo Ministério da Saúde, e o caderno de Receitas Saudáveis das Merendeiras da Bacia do Paraná III, compilado pelo Programa Cultivando Água Boa da empresa Itaipu Binacional.



Desafio 3

Muitos idosos perdem o apetite devido à dificuldade de ver, tocar, mastigar ou sentir o sabor da comida. Os idosos que moram sozinhos podem ter limitações para se locomover e dificuldades para comprar e preparar refeições adequadas. Ao mesmo tempo, é nesta fase da vida que mais se necessita de alimentos nutritivos e antioxidantes, para ajudar a prevenir doenças e melhorar o funcionamento do cérebro. 

Estude os alimentos funcionais e faça uma lista dos mais adequados à terceira idade. Você consegue combiná-los em um cardápio saboroso, fácil de preparar e funcional? Há meios de contornar as limitações de acesso dos idosos a esse cardápio adequado? Leia o artigo Produtos funcionais mantêm os idosos ativos e em forma para começar a resolver essas questões.

Se você aceitou algum desses desafios ou preferiu desenvolver outros, inscreva os resultados no XXVIII Prêmio Jovem Cientista e tenha sua pesquisa avaliada por especialistas de renome na área de Segurança Alimentar e Nutricional.
www.jovemcientista.cnpq.br