Soluções para a Desnutrição e a Obesidade

Nessa aula, você vai ver que:

  • - A desnutrição e a obesidade são problemas sérios de saúde pública no Brasil
  • - Dietas equilibradas previnem doenças
  • - Dietas “milagrosas” podem ser muito perigosas
  • - Você pode ajudar a combater e prevenir a desnutrição e a obesidade



Assista ao vídeo: Efeitos da má alimentação





PENSE: Por que estamos engordando?

O Brasil de hoje enfrenta um dilema de saúde pública no que se refere à nutrição. Ao mesmo tempo em que registra a diminuição de casos de desnutrição, mais de 15% da população brasileira torna-se obesa e cerca de 50% é considerada acima do peso. Os cientistas costumam classificar esse quadro de ‘transição nutricional’, determinada frequentemente pela má-alimentação.

Esse fenômeno não é exclusivo ao Brasil. Vem ocorrendo em vários outros países em desenvolvimento.

NA SUA OPINIÃO, QUAIS AS CAUSAS DESSA TRANSIÇÃO NUTRICIONAL?





SAIBA: As principais definições e causas da desnutrição e da obesidade

O que é desnutrição? A desnutrição (ou subnutrição) é uma condição clínica causada pela falta de ingestão ou absorção de nutrientes suficientes para satisfazer as necessidades de manutenção e desenvolvimento do corpo.




Principais causas da desnutrição:
Causas primárias A pessoa come pouco ou “mal”. Tem uma dieta que, quantitativa ou qualitativamente, é insuficiente em calorias e nutrientes.
Causas secundárias A ingestão de alimentos não é suficiente porque as necessidades energéticas do indivíduo aumentaram ou há algum distúrbio de saúde, como a presença de vermes, alergia ou intolerância alimentares, anorexia, câncer, ou outros problemas metabólicos.
Outros fatores Dentre eles o desmame precoce; crenças e tabus contra alguns alimentos; indisponibilidade de alimentos em algumas regiões, seja pelo isolamento ou pelo clima; e a falta de renda necessária para a aquisição de alimentos.


A elevação da renda da população brasileira amplia o acesso a proteínas e gorduras, portanto aumenta as calorias per capita. Por outro lado, ainda persistem formas severas de desnutrição, principalmente nas regiões Norte e Nordeste e em bolsões de pobreza nas demais regiões. Isso caracteriza a desnutrição como um fruto da desigualdade social e da pobreza, ainda por vencer.

O que é obesidade?A obesidade é resultado de um desequilíbrio entre a quantidade de calorias que é ingerida e a que é gasta, provocando excesso de gordura corporal e prejuízos à saúde e ao bem-estar do indivíduo.



Principais causas da obesidade:
Maus hábitos alimentares Não ter horários fixos para comer e perder o controle da quantidade de alimentos ingeridos, com muitos lanchinhos e salgadinhos entre as refeições.
Consumo exagerado de alimentos gordurosos: frituras, manteigas, óleos, doces cremosos, chocolates etc.
“Dietas da moda”, que provocam o efeito sanfona, com perdas e ganhos bruscos de peso.
Longos períodos em jejum seguidos de refeições fartas, o que acaba aumentando a quantidade de alimentos consumidos de uma só vez e dilatando o estômago.
Pouca atividade física Com o sedentarismo, o indivíduo tem um reduzido gasto calórico; fica mais propenso a acumular gordura e perde massa corporal magra (músculos).
Disfunções hormonais (endocrinopatias) Representam menos de 10% dos casos de obesidade. Algumas delas são: síndrome hipotalâmica, síndrome de cushing, hipotireoidismo, síndrome dos ovários policísticos, hiperinsulinismo pseudohipoparatireoidismo, hipogonadismo e deficiência de hormônios do crescimento.
Fatores genéticos Filhos de pais obesos têm maior risco de obesidade quando comparados às crianças cujos pais apresentam peso normal. Quando ambos os pais são obesos, a criança tem 80% de probabilidade de tornar-se obesa. Quando apenas um deles é obeso, a probabilidade é de 40%. Quando nenhum é obeso, cai para 10%.


É importante lembrar que cada pessoa tem necessidades e reações particulares em relação à alimentação, o que explica porque duas pessoas com mesma idade, peso e altura, que têm dietas similares podem apresentar diferentes tendências a engordar. Muitos fatores podem explicar as características individuais: genética; metabolismo; ambiente (cultura, educação, clima, relações interpessoais etc.); estilo de vida (hábitos alimentares, atividade física, tabagismo, alcoolismo, entre outros). Tanto a obesidade quanto a desnutrição podem estar relacionadas com um ou vários desses fatores. Por isso, ao planejar intervenções na alimentação, é importante consultar um profissional competente para analisar todas essas dimensões.

Leia Obesidade e Desnutrição, uma publicação da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília, em parceria com o Ministério da Saúde, para outras informações sobre o tema.

Leia também o artigo Seja um bom exemplo para as crianças na hora de comer.




CALCULE: Qual é o seu IMC?

O parâmetro mais usado para diagnosticar os riscos relacionados à obesidade ou outras disfunções alimentares (como desnutrição, bulimia e anorexia) é o índice de massa corporal (IMC). É fácil de calcular: divida seu peso pela altura elevada ao quadrado.




IMC = Peso atual (kg) / altura2 (m2)
Parâmetros para adultos
IMC inferior a 16 Desnutrição
IMC entre 16 e 18 Magreza
IMC entre 18,5 e 25 Peso normal
IMC entre 25 e 30 Sobrepeso
IMC entre 30 e 40 Obesidade
IMC superior a 40 Obesidade mórbida



A avaliação da massa corporal em crianças e adolescentes é feita com tabelas que relacionam peso, altura e idade. Visite o site Seu peso é ideal? para conferir a tabela de altura para menores de 18 anos.

O IMC não é nem deve ser o único parâmetro relativo à gordura. Outros como a circunferência abdominal e taxa de colesterol também são importantes. Monitore.





ASSISTA: A boa alimentação sem modismos





SAIBA: Planejar sua dieta diária com a Pirâmide Alimentar

Pirâmide Alimentar

Para nos ajudar a preparar uma alimentação variada e equilibrada, cientistas elaboraram a Pirâmide Alimentar. Ela indica a quantidade ideal de cada grupo de alimentos a ser ingerida diariamente.

Na base da pirâmide está o grupo de alimentos que devem ser consumidos em maior quantidade. Quanto mais alto na pirâmide, menor a quantidade a ingerir. Nenhum alimento é mais importante que o outro. Precisamos consumir alimentos de todos os grupos para ter uma alimentação saudável.

A Pirâmide Alimentar adotada no Brasil foi criada em 1999, pela pesquisadora Sonia Tucunduva Philippi, do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Para responder às transformações nos padrões alimentares e de atividades físicas ocorridas nos últimos anos, a pirâmide foi recentemente modificada. Foram incluídos novos alimentos – como o arroz integral; folhas verde-escuras; peixes como salmão e sardinha; o caju e a graviola e oleaginosas como castanha-do-pará. Também foi reduzida a quantidade de calorias diárias recomendadas: de 2.500 para 2 mil.




INFOGRÁFICO: Pirâmide Alimentar



Consulte o Guia Alimentar para a População Brasileira para mais informações sobre o número ideal de porções de cada alimento; seu valor energético médio e os princípios de uma alimentação saudável.





SAIBA: Compreender os rótulos

As informações contidas no rótulo dos alimentos são importantes para promover escolhas alimentares saudáveis, diminuindo o risco da obesidade e de outras doenças associadas à alimentação. A obrigatoriedade da rotulagem nutricional nos alimentos tem pouco mais de 10 anos. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Saúde, todos os alimentos industrializados devem fornecer no rótulo:



  • - nome do produto
  • - lista de ingredientes
  • - conteúdo líquido
  • - origem do produto
  • - identificação do lote
  • - data de fabricação e prazo de validade
  • - instrução de uso, quando for necessário
  • - informação nutricional


A informação nutricional deve apresentar a quantidade de nutrientes por porção e o percentual do valor diário (%VD), como mostra o modelo a seguir.




INFOGRÁFICO: Informação Nutricional




SAIBA: Diferenciar alimentos light e diet

Alimentos light e diet

É muito importante entender a diferença entre esses dois termos para que escolha e compre o produto certo. Produtos light são alimentos modificados em seu valor energético ou em sua composição de gordura. Devem ter no mínimo 25% menos de calorias que um alimento convencional. Um exemplo é o iogurte desnatado, que em geral tem 30% menos gordura. Mas atenção: produtos light podem conter açúcar, portanto não devem ser consumidos pelos diabéticos, a menos que o rótulo discrimine “sem adição de açúcares”.

Os produtos diet são formulados para pessoas que apresentam condições fisiológicas específicas. Devem ser consumidos por aqueles que têm restrição a algum nutriente, como: açúcares, sódio, gorduras, colesterol, aminoácidos ou proteínas, entre outras. Um exemplo são as geleias para dieta com restrição de açúcar. Mas, cuidado: quem necessita de produtos diet deve ler o rótulo da embalagem com bastante atenção para verificar se ele atende às necessidades específicas. Na dúvida, é bom consultar um nutricionista ou médico para uma orientação mais precisa.




SAIBA: Diferenciar intolerância de alergias alimentares

Intolerâncias e alergias alimentares
Você já notou que as pessoas têm cada vez mais intolerâncias e alergias alimentares? Para atendê-las, os rótulos também devem informar a existência de vários outros componentes no produto, como:

Glúten: para alertar os portadores da doença Celíaca, uma intolerância ao consumo dessa proteína. A ingestão da proteína, presente no trigo, aveia, centeio, cevada e malte, pode causar diarreias prolongadas ou permanentes.

Fenilalanina: para os portadores da doença Fenilcetonúria, uma intolerância que pode levar a convulsões e deficiência mental.

Lactose: para alertar quem tem ou desenvolveu a carência da enzima lactase, produzida no intestino delgado, que tem a finalidade de decompor o açúcar do leite em carboidratos, para a sua melhor absorção. As pessoas afetadas por essa intolerância costumam sentir dor abdominal, náuseas, desconforto, diarreia e gases após o consumo de laticínios. No Brasil, estima-se que cerca de 37 milhões de pessoas tenham intolerância à lactose.

Aditivos e contaminantes: usados para conservar, intensificar ou modificar suas propriedades sem alterar o valor nutritivo:


  • - acidulantes (H): acentuam o sabor ácido
  • - adoçantes (D): adoçam
  • - antioxidantes (A): evitam o ranço, o envelhecimento da comida
  • - aromatizantes (F): realçam o sabor
  • - conservantes (P): protegem contra a contaminação de microrganismos
  • - corantes (C): realçam a cor
  • - espessantes (EP): aumentam o volume, a viscosidade
  • - estabilizantes (ET): evitam a separação dos ingredientes
  • - umectantes (UC): evitam o ressecamento


Alergia e intolerância são fenômenos distintos, embora os sintomas possam ser parecidos. A alergia dispara um mecanismo imunológico, com sintomas variáveis que podem surgir na pele, no sistema gastrintestinal e respiratório. As reações podem ser leves, como coceiras e vermelhidão, até reações graves que podem comprometer vários órgãos. A intolerância alimentar, por sua vez, resulta da incapacidade do organismo de digerir algum componente do alimento que provoca uma reação, muitas vezes metabólica, causando vários desconfortos.

É importante diferenciar a alergia da intolerância porque a orientação nutricional é distinta em cada caso. Enquanto a intolerância à lactose, por exemplo, permite o consumo de pequenas quantidades de laticínios ou a ingestão de enzimas lactase para suprir a carência, em caso de alergia às proteínas do leite, os laticínios devem ser eliminados da dieta.



COMPARTILHE

Conheça a campanha Põe no Rótulo, criada por famílias que convivem com a alergia alimentar. Elas decidiram se mobilizar para exigir o direito a informações claras nos rótulos dos produtos em geral. Você pode participar enviando suas dúvidas sobre alergias e intolerâncias alimentares; divulgando bons e maus exemplos de rótulos; e opinando em consultas públicas, como a da resolução que vai definir regras para a Rotulagem de Alergênicos em Alimentos. Visite http://poenorotulo.com.br e compartilhe com #PoeNoRotulo





Pensando em você, Estudante do Ensino Médio, que está disposto a contribuir com soluções para melhorar a produção sustentável de alimentos, elencamos alguns desafios para inspirar o início de sua pesquisa.

Desafio 1

A alimentação saudável depende de planejamento. A Pirâmide Alimentar é um bom ponto de partida, um guia para você organizar sua dieta diária, considerando a diversidade dos produtos de sua região, a sazonalidade e o orçamento disponível para a compra de sua cesta de alimentos.

Verifique se sua escola usa a Pirâmide Alimentar para planejar a alimentação de seus alunos, funcionários ou até de suas famílias. Sua escola conta com a ajuda de um profissional da nutrição? Se for o caso, busque saber que métodos esse profissional usa para planejar a merenda escolar. Ele estuda a atividade física dos alunos; o gasto energético com essas atividades físicas e o gasto energético total diário? E que métodos poderiam ser usados para planejar as refeições para além da escola? Com base nesses conhecimentos, desenvolva um projeto de reeducação alimentar para toda a escola.

O projeto pode incluir propostas de atividades para as aulas de Educação Física e, neste caso, deve mostrar a relação entre ingestão de alimentos e exercícios, além de tratar da relação entre a vitamina D (=tomar sol) e a absorção de alguns nutrientes (como o cálcio). Leia o artigo Especialistas esclarecem 12 dúvidas sobre a Vitamina D



Desafio 2

O índice de desnutrição no Brasil tem caído significativamente nos últimos anos. Mas, a deficiência de micronutrientes ainda acomete milhões de indivíduos em diferentes fases da vida. Se a pessoa come, mas de forma insuficiente para satisfazer as necessidades de manutenção e desenvolvimento do corpo, ela sofrerá as consequências. Algumas podem ser menos graves ainda que muito perceptíveis, como a baixa estatura. Outras são mais graves e permanecerão pelo resto da vida, como aquelas ligadas à formação das conexões cerebrais, causando baixos níveis de concentração e dificuldade de aprendizado; ou a baixa imunidade, tornando o organismo propenso a infecções. Isso ocorre com pessoas que ingerem pequenas porções de alimentos (com deficiência calórica), mas também são efeitos observados em quem tem dietas pouco variadas, como feijão e farinha, sem frutas, hortaliças, ou proteína animal, e muitas vezes, ficando um ou dois dias sem comer. Se sua região ou comunidade ainda enfrenta situações como esta, não é possível fechar os olhos.

Em geral, esse quadro tem relação com a situação socioeconômica. Que propostas você tem para melhorar a alimentação de famílias pauperizadas? Há soluções ligadas à produção local de alimentos? À melhor distribuição da comida? À fortificação de alguns ingredientes básicos? À merenda escolar? Aos processos de educação?



Desafio 3

Estudos indicam que 5 a 25% dos adultos acreditam que eles ou seus filhos sejam atingidos por algum tipo de hipersensibilidade a alimentos. Vários estudos mostram ainda que existe uma percepção superestimada da alergia alimentar. Muitos dos casos são, na realidade, de intolerância alimentar. Como vimos nesta webaula, há diferenças entre um quadro e outro que requerem cuidados específicos. O fato é que as doenças alérgicas em crianças e adultos jovens aumentou drasticamente nas últimas décadas e as alergias alimentares fazem parte desse quadro.

Como poderíamos mapear alergias e intolerâncias alimentares existentes na comunidade escolar? Que métodos de testar alergias e intolerâncias seriam confiáveis, acessíveis e seguros? Como aumentar o conhecimento sobre esses temas dentre os estudantes e suas famílias? Existe alguma maneira de prevenir as alergias alimentares?

Se você aceitou algum desses desafios ou preferiu desenvolver outros, inscreva os resultados no XXVIII Prêmio Jovem Cientista e tenha sua pesquisa avaliada por especialistas de renome na área de Segurança Alimentar e Nutricional.
www.jovemcientista.cnpq.br